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LEOliteratura
 


continuando o ensaio 3/7...

 

Continuando o 3/7...

 

Capítulo III – Engenho Velho

 

Volta ao Rio de Janeiro em fevereiro de 1916, para seguir

os estudos no internato do Colégio Pedro II. As paisagens

do Rio. A família: o tio Antonio Salles, o tio Heitor Modesto.

O casarão da Aristides Lobo.

 

Leituras várias, “sem ordem” e “sem medida”. A rua Haddock

Lobo: andanças. A rua do Ouvidor: desfile de impressões

(ao estilo de C Baudelaire) Mais casos de família: o deputado

Meton da Franca, eleito pelo Ceará.

 

A rua Primeiro de Março. A baía de Guanabara. Andanças

com o tio Salles, entre 1916 e 1917. A figura do Sr. Balsemão.

O comanante Otávio Briggs. O 'seu' Vespasiano. Reuniões

noturnas na Pensão Mess. A figura do tio António Salles, um

'poeta' da vida carioca. Outras 'personalidades': Antônio Caio

da Silva Prado, o Coronel José Fantelle, o tio Ennes de Souza.

 

O fim da Belle-Époque. O flagor de 'sangue e ferro' da

Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918), que ninguém (muito

menos os militares!) imaginou que duraria tanto! A polêmica

entre os francófilos e os germanófilos. A vida no Internato do

Colégio Pedro II.

 

 

Capítulo IV – Morro do Barro Vermelho

 

Começa em 1937, com o encontro dos ex-alunos do Colégio

Pedro II, abordando a história do colégio, desde o século 18,

com os “órfãos de São Pedro”, num relato cheio de digressões

 históricas e genealógicas, dignas de historiador.

 

O escritor se confessa ao leitor, “Quem escreve é para ser

lido. Certo. Monsieur de La Palisse. Mas sejamos sinceros

acrescentando que muito do que escrevemos é para ser lido

por nós mesmos. Não há ninguém, por mais pintado que seja,

que não goste de lamber a própria cria.” (p. 343)

 

A referência ao “Monsieur de La Palisse” é para 'ilustrar' o

“óbvio ululante” de que alguém sempre escreve para alguém

(nem que seja para ele/ela mesmo/a no futuro...), pois há uma

expressão francesa para o óbvio, no pleonasmo de “O

Monsieur de La Palisse estava vivo quinze minutos antes de

morrer” ("Un quart d'heure avant sa mort, il était encore en vie.”)

 

O Autor continua a historiar o Colégio com alusões, reminis-

cências e citações, mesclando os primeiros tempos de sua

própria vivência no internato. Todo estilo é ainda 'proustiano',

mas será superado ao longo da obra “Beira-Mar”, que julgo

estar no ápice da maturidade estilística de Pedro Nava,

desenvolvida plenamente nos jogos de linguagem e humor

negro em “Galo-das-Trevas” e “Círio Perfeito”, com o uso

da narração em 3a pessoa)

 

Para quem escreve memórias, onde acaba a lembrança?

 Onde começa a ficção? Talvez sejam inseparáveis. Os fatos

da realidade são como pedra, tijolo – argamassados, virados

parede, caso, pelo saibro, pela cal, pelo reboco da veros-

similhança – manipulados pela imaginação criadora.” (p. 366)

 

As muitas leituras da geração pré-modernista. Os livrinhos

eróticos, aqueles lidos em absoluto sigilo.  A obscenidade

da hipocrisia. O aprendizado sexual todo carregado de culpa

moral. O policiamento da palavra. A Tradicional Família Mineira.

 

O aprendizado da 'conveniência': o que é aceito socialmente.

As regras de etiqueta, isto é, 'mascaramento'. Mas o Autor

ressalta que se deve aceitar o sublime e o asqueroso na figura

do outro – e em nós mesmos. “Não julgueis para não serdes

julgados”. O que é crime e o que não é? Os vícios permitidos

e os vícios transvestidos.

O título “Balão Cativo” faz referência justamente ao cerceamento

da juventude, nas épocas conservadoras, pré-Segunda Guerra

Mundial e pré-1968. E reflete bem as impressões/

preocupações do Autor quanto a 'rebelião' da juventude

daquela época.

 

 

No próximo ensaio, uma leitura/resumo de “Chão de Ferro”.

 

 

Mai/09

 

 

Por Leonardo de Magalhaens

 

http://leoleituraescrita.blogspot.com

 

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 18h33
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Leitura/resumo de "Balão Cativo" / Pedro Nava

3/7

 

sobre a obra “Balão Cativo” (Memórias 2)(em 4a ed., 1986)

do escritor Pedro Nava

 

Capítulo I – Morro do Imperador

 

Descreve a cidade mineira de Juiz de Fora, além da chácara

da Inhá Luísa, a avó. Parentes da Rua Direita, 179. A tia

Risoleta, a figura do Major, a ida para Diamantina. A prima

Babinha. As primas Paleta.

 

Depois a volta ao Rio de Janeiro (em outubro de 1912?),

com as paisagens cariocas. A visita ao cemitério. A Mãe

volta para Juiz de Fora, e o Autor continua no Rio, junto as

figuras familiares. Os estudos no Colégio Andrès (externato)

e depois do Colégio Lucindo Filho (externato), com a

personalidade do diretor Antonio Vieira Machado Sobrinho,

o 'seu' Machado.

 

Mais cenas da família. Inhá Luísa, a avó. O tio Meton.

Alusões à vida erótica. Colegas de infância. O primo Tonsinho.

Descoberta da putrefação. O egocentrismo pueril. A figura

de 'seu' Belmiro. Os passeios em Juiz de Fora.

 

Descreve a morte da avó Inhá Luísa (setembro de 1913).

Depois a mudança para Belo Horizonte.

 

 

Capítulo II – Serra do Curral

 

O Bairro da Floresta. Figuras da família. A prima Marinna

Carolina. O coronel Júlio Pinto. O vizinho Cristiano Machado

(depois famoso político). O 'seu' Melo. As andanças pelo

bairro.

 

Primeiras descrições 'proustianas' da metrópole em

crescimento: la citè de Bello Horizonte!

 

Inaugurado, em março de 1914, o Ginásio Anglo-Mineiro,

por iniciativa do Professor Mendes Pimentel (depois o Reitor

da UFMG) Descrição de mestres e alunos (o estilo é

'proustiano', mas influenciado por “O Ateneu”, de Raul

Pompéia) As cartas escritas para a mãe. A vida no internato.

A cultura anglo-saxã, com seus clássicos e épicos. O diretor

Sadler e outras personagens.

 

Férias de dezembro. A Primeira Comunhão. A percepção

das diferenças culturais e religiosas, pois o Autor é de

família católica, mas estuda num colégio de influência

protestante. O Ano letivo de 1915. O colega Olimpinho. Mas

o inusitado: o diretor Sadler informa o fechamento do Ginásio.

(Muita pressão por parte da Tradicional Família Mineira!)

 

 

Continua...

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 18h29
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continuando o ensaio 2/7

continuando...

 

Capítulo III – Paraibuna

 

Os avós no vale do Paraibuna. O Capitão da Guarda Nacional,

Luís da Cunha. O avô Jaguaribe, o Major. A morte do tio Leonel,

que era médico. Progresso de Juiz de Fora, com a chegada da

energia elétrica. O Major em São Paulo, volta para a Paraibuna.

A adolescência da Mãe do Autor. La Belle Époque.

 

O Pai do Autor no curso de Medicina, na Bahia. A figura da

doceira Sabina. 1900: o Pai torna-se o Dr. José Nava. O vulto

de Nuno de Andrade. Núpcias dos pais. 1903: nasce o Autor.

Vim ao mundo com uma penugem densa e feia nas orelhas,

impressão das aranhas do Sossego.” (p. 264)

 

Malabarismos da memória e as lembranças da infância.

A memória é que suprimia os intervalos”. A avó materna, Rosa

de Lima Benta. “Uns fatos voltam ao sol da lembrança com a

rapidez dos dias para os mundos de pequena órbita.” (p. 277)

 

Lembranças de Juiz de Fora. Paisagens e personagens.

Descendente de uma família citadina, filho de um comerciante

liberal, meu Pai assim que conheceu melhor a sogra rural,

escravocata, dominadora e violenta, tomou-lhe horror.” (p. 293)

As “excelentes famílias de Juiz de Fora”. As figuras do Dr. Andrès

e do Dr. Belisário Pena. Cenas da infância: a doença do Pai.

 

A fazenda de Santa Clara. As andanças com o Pai. O concunhado

Paletta. Os ícones da sociedade de Medicina de Juiz de Fora.

A carreira médica e administrativa do Pai.

 

 

Capítulo IV – Rio Comprido

 

Excêntrica epígrafe, “de onde surge tua infância como um copo

de veneno”, para abrir um bloco de paisagens, reevocações,

frutos da “memória involuntária” que tem as chaves do baú do

passado. Lembrar é salvar o passado do pleno esquecimento,

ainda que este tenha sua utilidade. “Porque esquecer é fenômeno

ativo e intencional – esquecer é capítulo da memória (assim como

 que o seu tombo) e não sua função antagônica.” (p. 343)

 

A casa da Rua Aristides Lobo, 106, na primeira década o século 20.

Os amigos da família, as visitas. A descoberta da morte. Os

familiares vem e vão: o tio Heitor Modesto, o tio Antônio Salles.

 

 

Finaliza com a doença e morte do Pai, Dr. José Nava.

 

 

O livro foi escrito de fevereiro de 1968 a outubro de 1970, no bairro

do Glória, no Rio de Janeiro.

 

 

O próximo ensaio é sobre “Balão Cativo”...

 

By Leonardo de Magalhaens

 

http://leoleituraescrita.blogspot.com

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 18h22
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Ensaios sobre Pedro Nava (2/7)

sobre Baú de Ossos (1972) Memórias 1 (7a ed., 1984)

de Pedro Nava

 

2/7

 

 

Epígrafe de Anatole France (autor admirado por M Proust)

La mémoire est une faculté merveilleuse”

(A memória é uma faculdade maravilhosa)

 

Capítulo I – Setentrião

 

Eu sou um pobre homem do Caminho Novo das Minas

dos Matos Gerais

 

A narrativa ressuscita a ascendência do Autor, localizando

sua família em Juiz de Fora, cidade do sudeste de Minas,

mais precisamente na Rua Direita, 179, além das paisagens

da memória, em andanças na Rua Halfeld (uma espécie de

Rua da Bahia) Descreve o avô Pedro da Silva Nava (advindo

de São Luís do Maranhão) Menção ao tio Ennes de Souza e

o escandaloso 'caso das bonecas inteiras' (isto é, com partes

pudendas). Também apresenta a figura da avó Ana

(Dona Nanoca)

 

Os quadros de família. Os Pamplona. A mãe da avó, Dona

Maria de Barros, O tio-avô Itríclio. O negócio comercial do

avô Pedro. As viagens na Europa.

 

Chegada da família ao Rio de Janeiro em 1879. Paisagens

cariocas no fim do século 19. O tio Ennes de Souza e seu

'espírito fantasista'. Volta da avó ao Ceará. Morte da tia-avó

Adelaide Cândida. A figura do velho Feijó. O pai do Autor vai

para o Liceu (em 1891)

 

A “Padaria Espiritual”, uma espécie de sociedade cearense

de letras, “A Padaria era extremista, socializante, levemente

anarquista” (p. 113) O destaque para a figura política do pai,

Meu Pai tinha 6 anos, em 1882, quando foi fundado no Ceará

o Centro Abolicionista.” (p. 115) e “Meu Pai fez na Bahia apenas

o primeiro ano de Farmácia e o de Medicina.” (p. 117)

 

 

Capítulo II – Caminho Novo

 

 

Paisagens e dialetos de Minas , “Na Toscana de Minas e do

Brasil”, em referência a região italiano com forte acento regional,

ao mesmo tempo em que lembra o sul da França, onde se falava

o langue d'oc, em comparação com a hegemonia de Paris, terra

do langue d'oil, “A maioria, entretanto, não se passou para estas

línguas do oc nem do oil porque ficou mesmo naquele círculo

mágico onde se fala a língua do uai.” (p. 121) Interessante é

que tanto 'oc' quanto 'oil'(oui) siginificam 'sim', enquanto 'uai' pode

ser uma interrogação, uma interjeição de dúvida, de quem não

acredita. É a desconfiança do mineiro...

 

Os fantasmas do passado povoam as memórias, criando uma

espécie de “geografia sentimental”, que vai além de cartografias

e políticas de gabinete. “No fundo, bem no fundo, o Brasil para

nós é uma expressão administrativa. O próprio resto de Minas,

 uma convenção geográfica.” (p. 129)

 

A figura do bisavô Luís da Cunha, o pai da avó materna. O tio Júlio.

Os casórios. O reconhecer-se no mundo, a partir da cultura familiar.

A geografia enquanto extensão das dimensões da casa. Assim

a Zona da Mata mineira. “Minha gente pensou no nosso Caminho

Novo desde o primeiro dia em que ele foi pensado.” (p. 143)

Viagens nos novos caminhos: o desbravador Garcia Rodrigues Pai,

em pleno século 17. A figura de henrique Halfeld, vindo para Minas

no início do século 19. Sua importância, até lendária, para Juiz de Fora.

O tropeiro Luís da Cunha e sua ascendência.

 

What's past is prologue.” (Shakespeare, The Tempest) para abrir

outra seção de pesquisa histórica e genealogias. O bisavô Jaguaribe.

A família Alencar. “Quem somos nós!? Pronomes pessoais.”

(Mário de Andrade, Danças) para abrir mais seção de genealogias

e casos de heranças. A formação do povo brasileiro. Digressões

sobre estudos genealógicos, “Poeticamente, a genealogia é

oportunidade de exploração do tempo” (p. 213)

 

“As gerações passadas oprimem as mentes do vivos”, dizia Marx.

A família enquanto referência para a identidade. “Quem sou eu.

Quem é que está na minha mão, na minha cara, no meu coração,

no meu gesto, na minha palavra; quem é que me envulta e grita estou

aqui de novo, meu filho! Meu neto! Você não me conheceu logo

porque eu estive escondido cem, duzentos, trezentos anos.” (p. 213)

 

continua...

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 18h20
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